terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Capítulos 22, 23 e 24 do Catecismo Maior de John Owen traduzido para o português com notas sobre o entendimento batista dos sacramentos.

https://www.dropbox.com/s/mfj0tn32ydgmgz3/catecismo_john_owen.pdf

Outros recursos:
goo.gl/xeNJd

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O Culto Aceitável a Deus

Rafael Abreu

link do documento em .pdf:
https://www.dropbox.com/s/am8xz8eb997774u/culto_aceitavel_a_Deus_ebd_26-01-14.pdf

Introdução


O primeiro mandamento é a exigência de que Deus deve ser o único Senhor dos nossos corações. Como tal, e pelo simples fato de Ele ser Deus, deve ser temido, amado, louvado, crido e servido de todo o coração e de toda alma; devemos lhe prestar culto:

Dt.6:13 [NVI]: “Temam o Senhor, o seu Deus, e só a Ele prestem culto, e jurem somente pelo Seu nome.”

Lc.4:8 [PJFA]: “Respondeu-lhe Jesus: ‘Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás’.”

 O segundo, por sua vez, e, especificamente, diz respeito à lei moral de Deus contra a idolatria. Porém, mais que proibir o uso de imagens (o sim e o não), o segundo mandamento exige que o culto prestado a Deus seja puro, segundo as ordenanças que Ele próprio estabeleceu em Sua Palavra. É sobre isso que falaremos nesse texto.

Esse assunto tem extrema importância. É triste e preocupante a situação em que nossas igrejas se encontram. Não é preciso muito esforço para observar e ver que a “instituição” ganhou tanta importância que nos esquecemos do fato de que o que se faze nessa instituição é para o dono dela. A igreja moderna se tornou lugar de entretenimento; a simplicidade do culto deu lugar a todo tipo de atividade que, em nome de Deus e sob pretexto de adorá-lo, tenta satisfazer as necessidades dos homens e assemelhar-se ao mundo.

A vontade revelada de Deus


Nós temos pecado por não obedecer a Deus nem conhecer sua Palavra ainda que confessemos com nossas línguas que Ele é soberano e que sua vontade é revelada estritamente na Escritura sagrada. Deus sendo Soberano e infinitamente Santo e Justo é o único que pode instituir a maneira aceitável de ser adorado, afinal, a adoração é d’Ele e o povo de quem recebe a adoração também o é. Por sua bondade e graça, Ele nos revelou sua vontade na Escritura. A Escritura é a regra de fé e prática dos eleitos de Deus, nossas vidas devem ser guiadas por ela e nos foi ordenado que dela nada fosse acrescentado ou diminuído:

                Dt.12:32 [PFJA]: “Tudo o que Eu te ordeno, observarás, nada lhe acrescentarás nem diminuirás.”

Os decretos, ordenanças e mandamentos de Deus são perfeitos; quando os adulteramos com frutos de nossa imaginação e com invenções, estamos dizendo que Ele fez algo que pode ser melhorado, ou seja, que Ele não é infinitamente perfeito ou não é capaz, e até mesmo, que podemos fazer tão bem quanto Ele. Portanto, deveríamos obedecer Sua vontade.

O pecado


No entanto, existe uma doença profundamente enraizada no coração do homem: o pecado. Por causa dele, tentamos cultuar a Deus de maneira que Ele não indicou, com coisas que podem ser sentidas e experimentadas; ele é o responsável por tamanho gesto de arrogância.  O pecado é inimizade contra Deus, e nos torna senhores de nós mesmos; nos faz odiar e rejeitar as coisas puras e santas de Deus e enganosamente servir a nossas próprias vontades, as paixões carnais. Deus é espírito e deve ser adorado em espírito e em verdade (Jo.4:24). Estando morto e caído, o homem naturalmente busca o que esteja de acordo com sua carne. Por mais sinceros que sejamos ao prestar culto a Deus, e acredito que, de fato, milhares de pessoas “adoram” e O buscam nas igrejas com sinceridade, se esse culto não for da maneira que Ele próprio estabeleceu e delineou em sua Palavra, não estamos cultuando, mas insultando ao Senhor.
É importante ter em mente a liberdade que nos foi dada, sim! Mas liberdade do pecado, e não liberdade para pecar oferecendo a Deus o que não lhe agrada. Não podemos nos aproximar de Deus ou ter comunhão pelo caminho do nosso próprio coração, mas segundo a vontade de Deus, da maneira determinada por Ele.

Exemplos Bíblicos

A oferta de Caim


O primeiro exemplo de oferta inaceitável a Deus está registrado em Gênesis, capítulo 4.

Vs.3-5: “Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante.”

Por que Deus não aceitou a oferta de Caim? A Bíblia não diz que a oferta de Caim não foi sincera. O fato de “descair-lhe o semblante” dá-nos a entender o contrário, indica que ele estava desapontado.
Deus, ao matar um animal para cobrir Adão e Eva, havia indicado a forma aceitável de sacrifício. No entanto, Caim não ofereceu um animal, mas sim “fruto da terra”. Essa oferta foi uma invenção da mente de Caim. Note que Deus não havia proibido uma oferta de “fruto da terra”, no entanto, estabeleceu que a oferta seria um sacrifício de animal. Devemos observar atentamente as escrituras para não tropeçarmos numa sinceridade enganosa.

Nadabe e Abiú


O livro de Levítico é uma grande prova de que o próprio Deus é quem determina o culto que Lhe agrada. Todos os ritos cerimoniais são minuciosamente prescritos e deveriam ser seguidos à risca pelos levitas, sacerdotes e por todo o povo. No capítulo 10, temos o seguinte registro:

                Vs.1-2: “Ora, Nadabe, e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário e, pondo neles fogo e sobre ele deitando incenso, ofereceram fogo estranho perante o Senhor, o que ele não lhes ordenara. Então saiu fogo de diante do Senhor, e os devorou; e morreram perante o Senhor.”

Nadabe e Abiú ofereceram algo que o Senhor não ordenara. Novamente, não encontramos na Escritura uma proibição para não levar fogo estranho, ou uma regra para levar apenas um certo tipo de fogo. No entanto a passagem deixa claro que eles foram condenados por terem oferecido algo que não foi ordenado. Alguns argumentam que os filhos do sacerdote foram mortos pelo fato de estarem embriagados, porém, essa hipótese não se sustenta pelo que já foi dito, que eles foram consumidos pois apresentaram “o que Ele não lhes ordenara”.

Davi e a arca


Talvez esse seja o relato mais apavorante, a prova final de que a sinceridade e a melhor das intenções do coração do homem são como nada se não houver obediência à vontade de Deus.

                Vs.3-7: “Puseram a arca de Deus em um carro novo, e a levaram da casa de Abinadabe, que estava sobre o outeiro; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo. Foram, pois, levando-o da casa de Abinadabe, que estava sobre o outeiro, com a arca de Deus; e Aiô ia adiante da arca. E Davi, e toda a casa de Israel, tocavam perante o Senhor, com toda sorte de instrumentos de pau de faia, como também com harpas, saltérios, tamboris, pandeiros e címbalos. Quando chegaram à eira de Nacom, Uzá estendeu a mão à arca de Deus, e pegou nela, porque os bois tropeçaram. Então a ira do Senhor se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali; e Uzá morreu ali junto à arca de Deus.”

O povo levava a arca alegremente, com louvores a Deus. Por que Deus matou Uzá? Davi e o povo levaram a arca de maneira que Deus não havia ordenado. Em lugar algum da Escritura há uma proibição contra levar a arca num carro de boi, no entanto, a ordem de Deus era que a arca deveria ser levada pelos levitas em seus ombros (Nm.7:9).

O ritual dos fariseus


Mt.15:1-3: “Então chegaram a Jesus uns fariseus e escribas vindos de Jerusalém, e lhe perguntaram: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos, quando comem. Ele, porém, respondendo, disse-lhes: E vós, por que transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?”

A lei de Deus dada a Moisés estabeleceu lavagens como símbolo de purificação, mas a lavagem das mãos não era uma delas. Os fariseus, por melhores que tenham sido suas intenções, acrescentaram sua própria vontade à lei sagrada.

A consequência


O pecado de acrescentar ao culto o que não foi ordenado, além de obviamente causar a rejeição do culto por parte de Deus, nos leva ao antropocentrismo. Cristo deixa de ser o centro; o centro passa a ser o homem e a instituição. Por causa disso, surge o “falso evangelismo”. Busca-se formas de “atrair” pessoas para a igreja ou, ainda, manter os membros, satisfazendo suas vontades fúteis e desagradando ao Senhor do culto. O falso evangelismo é um dos mais terríveis enganos da igreja contemporânea: a igreja adequa-se aos padrões mundanos e à vontade dos homens, para chamar a atenção e entreter os não regenerados. Se estes “vêm” à Cristo não é pelo poder da pregação do Evangelho nem pela fé salvadora em Cristo. Os membros da igreja permanecem membros não pela sã doutrina, mas pelo ambiente que agrada a seus corações corruptos. Há maneira mais terrível de prostituir o corpo de Cristo? Culto só é verdadeiro quando coloca Deus em seu devido lugar e nós no nosso.

O culto aceitável


O culto aceitável é simples, Cristocêntrico e obedece humildemente à vontade soberana de Deus. Os elementos ordenados por Deus para culto de sua própria glória são (foram citados apenas alguns versículos que apontam para os cultos na igreja primitiva):

Pregação da Palavra: Mc.16:15 / At.9:20 / At.20:8-9
Leitura Bíblica: At.13:15 / 1Tm.4:13
Reunião no Dia do Senhor: At.20:7 / 1Co.16:2
Sacramentos (Ceia e Batismo): Mt.26:26-29 / Mt.28:19 / 1Co.11:24-16
Oração: Fp.4:6 / 1Ts.5:17 / Hb.13:18
Cântico de Salmos, hinos e cânticos espirituais: Ef.5:19 / Cl.3:16

Conclusão


Sem sombra de dúvidas, na maioria de nossas igrejas o culto que prestamos a Deus não foi o estabelecido nas escrituras. Será ele aceitável a Deus? Responda as seguintes perguntas: você já se perguntou por que cultua a Deus da maneira como o faz hoje? Você já estudou a Bíblia com o objetivo de saber qual a vontade revelada de Deus quanto à forma de culto que a Ele deve ser prestado? Quais formas de culto no Templo (A.T.)? Essas práticas foram abolidas com o sacrifício de Cristo? Qual a forma de culto nas Sinagogas, na igreja primitiva (N.T.)? Ore e peça que o Senhor lhe dê discernimento. Reflita sobre as seguintes práticas:

Teatros, danças litúrgicas, corais, “solos”, instrumentos musicais, aplausos para Jesus, apresentação de crianças, colocar a mão no coração, e tudo quanto fazemos em nossas igrejas.

“A luz da natureza mostra que existe um Deus, que tem senhorio e soberania sobre todos, que é justo, bom, e faz o bem a todos; e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido, de todo o coração, de toda alma, e com todas as forças. Mas a maneira aceitável de se cultuar o Deus verdadeiro é aquela instituída por Ele mesmo, e que está bem delimitada por sua própria vontade revelada, para que Deus não seja adorado de acordo com as imaginações e invenções humanas, nem com as sugestões de Satanás, nem por meio de qualquer representação visível ou qualquer outro modo não descrito nas Sagradas Escrituras.” – Confissão de Fé Batista de 1689

"Portanto, o fim deste mandamento [segundo] é que Deus não quer que Seu legítimo culto seja profanado mediante ritos supersticiosos [...] E, daí, nos instrui a Seu legítimo culto, isto é, ao culto espiritual e estabelecido por Si Próprio. Assinala, ademais, o que é mais grosseiro defeito nessa transgressão: a idolatria exterior." – João Calvino

“Devemos por isso concluir que nenhuma de nossas devoções será aceitável a Deus a menos que esteja conformada à Sua vontade. Tal preceito lança por terra todas as invenções humanas que é tão cheio de pompa e tolice. Diante de Deus tudo isso nada mais é que puro lixo e verdadeira abominação [...] Querer adorar segundo nossas próprias ideias é simplesmente abuso e corrupção [...] Precisamos ter o testemunho da sua vontade para seguirmos e submetermo-nos àquilo que nos tem ordenado. É assim que a adoração que prestamos a Deus será aprovada.” – João Calvino


Que o Senhor tenha misericórdia de nós.
Glória somente a Deus.


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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O Contexto do Texto:
Quando a Solução Vira Problema


Não é segredo que a teologia dos cristãos brasileiros vai mal das pernas. Não estou dizendo que a teologia fundamentalmente bíblica seja diferente em cada nação e, por conseguinte, que as verdades sagradas sejam melhores em determinados lugares que em outros. Tampouco, quero acusar todos os fiéis de nosso país de iletrados e ignorantes, embora queira dizer que a maioria de fato é. Subentende-se, pela expressão “ir mal das pernas”, que existe uma doença no corpo, embora o corpo não esteja morto em si, afinal, se assim estivesse não poderia andar. É claro, não creio que seja possível que a igreja brasileira esteja morta, visto que nosso gracioso e soberano Deus sustenta e preserva seus remanescentes. Ora, se o corpo não está morto, algo lhe resta de saudável, e é precisamente por isso, pelo fato de haver quem ensine a verdadeira, pura e simples palavra que peço que interpretem a primeira afirmação com cautela.

Teologia de má qualidade é produzida por dois fatores, e o principal deles, como não poderia ser diferente, é o espiritual. Essa verdade é incontestável e confirmada pelas Escrituras:

“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” – 1Co.2:14

“Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” – 2Co.4:3-4

Outro causador de terríveis e infames mazelas, é a negligência quanto ao uso do conhecimento “secular”. Tal negligência se dá de duas maneiras:

      1)  Quando se tem notável conhecimento de algum ramo da ciência e o mesmo subjuga a fé. Nesse caso, o processo de racionalização da fé se dá de maneira incorreta e o entendimento “natural” guia o espiritual. Os pressupostos de quem comete esse erro são aqueles adquiridos da ciência e estão acima das verdades bíblicas; assim, quaisquer questões difíceis são colocadas à prova não pela própria Palavra, mas pelo que se sabe da “ciência”.

      2)  Quando não se tem o mínimo de conhecimento dessas matérias e a análise dos textos bíblicos é guiada pela intuição do intérprete ou métodos duvidosos. Nesse caso é bem comum que se queira estudar hermenêutica, exegese, grego, hebraico e afins sem condições necessárias para tal. Um “salto maior que as pernas”.

O que se vê é um completo descaso com ferramentas dadas por Deus para auxílio na compreensão de Sua palavra. O resultado é desastroso: péssimos intérpretes comunicando o sagrado entre si, sem se compreenderem e sem compreenderem a Bíblia; pessoas sinceras mas equivocadas.

Pode-se observar que, efeito de um ou outro dos fatores citados acima, a falha mais comum ocorre quando o versículo é interpretado à parte do seu contexto. Desconsidera-se a situação em que ocorrem os fatos e daí surge o caos na percepção das verdades do evangelho.  Como se não bastasse esse tipo grotesco de erro apenas, há também quem transforme a solução em problema: nem um versículo por si só expressa verdades do evangelho. Despreza-se todo e qualquer versículo isolado mesmo que dele se extraia exatamente o que o autor queria dizer. (de forma alguma deve-se ignorar o contexto, mas interessante seria imaginar o mundo cristão sem comentários bíblicos versículo a versículo ou pregações expositivas preparadas sem auxílio do método de análise do versículo e o método analítico de estudo). Enfim, uma enxurrada de atrocidades místicas derivadas de devaneios de mentes descuidadas ou de corações perversos e impiedosos que perscrutam a palavra de Deus a fim de encontrar respaldo para suas práticas pecaminosas. Para esses dois tipos de erro, seguem os exemplos abaixo:

1)  1 Coríntios 8. Muitos têm a ousadia de utilizarem-se do texto como argumento favorável a atos pecaminosos desde que os mesmos não escandalizem a seus próximos. Assim, tudo é permitido desde que não haja algum irmão “fraco” por perto. É permitido falar palavrões (expressamente condenados em Ef.4:29, Ef.5:3-7, Mt.12:34-37, 1Co.15:33, Cl.3:8); é permitido fornicar (1Co.6:13, 1Co.5:1-13, Gl.5:19-21, Ap.21-8) desde que para determinado meio social, o sexo entre namorados não seja motivo de escândalo e também é permitido mentir (Jo.8:44, Ef.4:25, Ap.22:15), desde que todos seus amigos sejam mentirosos.

 2)   Mateus 23:33. No contexto, Jesus adverte a multidão a não agir como os escribas e fariseus que conheciam toda a lei e severamente a impunham ao povo quando eles próprios não a cumpriam. Eram falsos mestres que viviam de aparência; conheciam a teoria mas não a prática; hipócritas, orgulhosos, maldosos e perversos que destilavam seu veneno sem temor. No vs. 33 Jesus os chama de “serpentes” e “raça de víboras” e assim são todos os inimigos da cruz de Cristo, caluniadores, blasfemadores, zombadores e ímpios, tanto os que conhecem o evangelho e não foram regenerados quantos os descrentes. Alguns, entretanto, querendo tratar lobos que estraçalham ovelhas com carícias, se sentem incomodados com tais acusações firmes e sob pretexto de amor e respeito ignoram que o próprio Cristo assim chamou essa espécie torpe, ignoram que o próprio Cristo é pedra de tropeço e escândalo para aqueles que foram preparados para a condenação eterna.

 3)   1 Coríntios 6:19. Sugerem alguns que “o corpo é templo do Espírito Santo” é uma afirmação que deve ser considerada apenas quanto ao assunto que Paulo tratava, a imoralidade sexual, e portanto, não cabe em debates sobre outras questões que envolvem o corpo (tais como alimentação saudável, esportes violentos ou tatuagens). Cometem tal erro por não observar que o corpo ser habitação de Deus é a premissa usada por Paulo para concluir que que a imoralidade sexual é pecado. Logo, o fato de o corpo ser habitação de Deus independe do contexto do texto, o que é confirmado por outras passagens que dizem o mesmo em contextos diferentes (1Co.3:16, Rm.8:9, 2Tm.1:14).


Portanto, sejamos diligentes no estudo do Evangelho. Digo isso principalmente a líderes que foram separado pelo próprio Deus para ensinar e proclamar o evangelho aos ignorantes; não sejam também vocês ignorantes!

Soli Deo Gloria


Rafael Abreu

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Às Moças

Renan Abreu


            Presenciei cenas que me fizeram pensar como temos desonrado a Deus, por isso uma tristeza enorme abateu meu coração. Este texto não é algo que eu diga: “Oh! Veio a mim por revelação, algum sopro misterioso” e muito menos “Veio a mim sonhos da parte de Deus”; antes, foi tão somente uma reflexão após a leitura de alguns posts do Facebook. É de grandíssimo desejo para mim que as palavras descritas abaixo reflitam o amor que tenho pelos jovens cristãos; não que isto limite a leitura aos jovens, pois desejo que seja de proveito para toda a igreja de Cristo. Percebam também que não me julgo melhor que ninguém, antes, confesso que careço da glória de Deus como qualquer outro jovem. Faço das palavras do apóstolo Paulo as minhas: “Miserável homem que sou”, não obstante, digo: “Graças a Deus por Cristo Jesus”!

            Quão preocupante se tornou as publicações de fotos e frases no Facebook. Por acaso esqueceram a quem servem? Ou a quem devem honra? Será se Cristo é, de fato, glorificado com as postagens? Vocês se esqueceram das palavras do apóstolo Paulo? “Quer comais, bebais ou façais qualquer outra coisa façam para a glória de Deus”! Por acaso, Deus é glorificado quando vocês postam fotos sensuais ou frases obscenas? As mulheres, cometem um grave pecado quando publicam fotos que denigrem seus próprios corpos. Fotos com seios, coxas, barrigas, pernas e outras partes do corpo despidas e que induzem o pecado nos homens. Não entendem que estão despertando os adolescentes para pensamentos impuros, os rapazes para o sexo egoísta e os homens casados para o divórcio. Esse pecado é grave e trará a ira de Deus! Entristeço, quando na igreja, moças lindas provocam o pecado sexual. Decotes que mostram grande parte dos seus corpos. Parece-me que não conhecem o provérbio de Salomão: “Como um anel de ouro em um focinho de porco, assim é a mulher bonita mas indiscreta”.

            Vocês estão adorando seus próprios corpos, preocupadas com malhação, silicones, enfeites mil e se esqueceram que o coração cheira mal como carne podre. Não percebem que a “beleza é passageira” mas a alma é eterna? Precisamos entender que os escândalos, como a própria palavra de Cristo afirma, serão inevitáveis, mas “aí por quem vier os escândalos”. É necessário vigiar para não provocarmos a morte de algum próximo. Queiram possuir a beleza intrínseca que vem apenas da Glória do Pai. Além do mais, os corpos de vocês devem ser o templo do Espírito Santo. É no mínimo incoerente o templo de Cristo permanecer sujo! Cristo há de limpá-lo! Entenda que se não houver arrependimento Ele executará uma severa disciplina porque “Deus disciplina a quem Ele ama”. Não por vergonha ou medo mas por amor a Cristo, retirem suas fotos sensuais, de cunho pornográfico ou que despertam, de alguma forma, a corrupção moral do homem. Isto é muito sério, não foi por pouca coisa que José, quando atraído por uma bela mulher, fugiu. Não é sem razão que a bíblia manda que seus filhos fujam da prostituição. Mulheres, o homem tem uma fraqueza muito grande neste quesito; se não for o Espírito Santo para vencer por nós, jamais venceremos! Reflitam sobre isso, se é perigoso para os filhos de Deus – vejam o exemplo de Davi – quanto mais aos que não conhecem Cristo!


            Para concluir, suplico, mantenham suas vidas guiadas pelas palavras de Jesus. Criem o hábito de manter uma meditação diária da bíblia. Procurem a santificação no livro de Provérbios. Pensem na paixão de Cristo, nos evangelhos. Meditem no amor das cartas pastorais de Paulo. Lembrem-se da ira de Deus no Pentateuco. Pasmem com a destruição de Judá e Israel em II Reis. Alegrem-se na salvação e glorificação final de e em Cristo! Não entreguem seus corpos a Satanás, pelo contrário, Sejam Santas porque Nosso Deus É Santo.

Um Chamado à Triagem Teológica e Maturidade Cristã

R. Albert Mohler Jr.
(Tradução: Rafael Abreu)


Em todas as gerações, a igreja é ordenada a “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” Essa não é uma tarefa fácil, e é dificultada pelos múltiplos ataques às verdades Cristãs que marcam a era contemporânea. Investidas contra a fé Cristã não são mais direcionadas apenas a doutrinas isoladas. Toda estrutura da verdade Cristã está, agora, sob ataque por aqueles que subvertem a integridade teológica do Cristianismo.

Os Cristãos de hoje se deparam com a assustadora tarefa de elaborar estratégias que priorizem doutrinas Cristãs e questões teológicas em termos de nosso contexto contemporâneo. Isso se aplica tanto à defesa pública do Cristianismo em vista do desafio secular e da responsabilidade interna de lidar com divergências doutrinárias. Nenhuma delas é tarefa fácil, mas a seriedade teológica e a maturidade demandam que consideremos questões doutrinárias em termos de sua relativa importância. A verdade de Deus deve ser defendida em todo ponto e em cada detalhe, mas Cristãos responsáveis devem determinar quais questões merecem maior atenção em um tempo de crise teológica.

Há alguns anos, uma ida ao atendimento de emergência de um hospital, me alertou para uma ferramenta intelectual muito útil para a realização de nossa responsabilidade teológica. Recentemente médicos de emergência têm praticado uma disciplina conhecida como triagem – um processo que permite o pessoal treinado a fazer uma rápida avaliação da prioridade médica em questão. Dado o caos da área de atendimentos de urgência, alguém deve estar munido de expertise médica para determinar imediatamente a prioridade médica. Quais pacientes devem ser encaminhados à cirurgia? Quais pacientes podem esperar por um exame menos urgente? Os médicos não podem hesitar ao fazerem essas perguntas, e ao assumir a responsabilidade de dar os pacientes com necessidades mais críticas prioridade mais alta em termos de tratamento.

A palavra triagem vem da palavra francesa “trier”, que significa “classificar”. Desse modo, o responsável pela triagem no contexto médico é o agente da linha de frente para decidir quais pacientes precisam de tratamento mais urgente. Na ausência de tal processo, o joelho esfolado seria considerado tão urgente quanto um ferido à bala no peito. A mesma ideia que traz ordem à agitada arena do atendimento de emergência também pode oferecer grande ajuda aos Cristãos que defendem a fé nos dias presentes.

Uma disciplina de triagem teológica requer que Cristãos determinem uma escala de urgência teológica que corresponde ao quadro do mundo da medicina para prioridades médicas. Com isto em mente, sugiro três diferentes níveis de urgência teológica, cada uma correspondente a um conjunto de questões teológicas prioritárias encontradas em debates doutrinários.

Questões teológicas de primeiro nível incluiriam aquelas doutrinas mais centrais e essenciais à fé Cristã. Entre estas doutrinas mais cruciais estariam aquelas tais quais a da Trindade, a completa deidade e humanidade de Jesus Cristo, justificação pela fé, e a autoridade da Escritura.

Nos primeiros séculos do movimento Cristão, hereges direcionaram seus mais perigosos ataques ao entendimento da igreja sobre quem Jesus é, e em que sentido Ele é o próprio Filho de Deus. Outro debate crucial se preocupou com a questão de qual a relação do Filho com o Pai e o Espírito Santo. Os antigos credos e concílios da igreja foram, em essência, medidas de emergência tomadas para proteger o âmago da doutrina Cristã. Em momentos importantes da história tais como o concílio de Nicéia, Constantinopla, e Calcedônia, a ortodoxia foi reivindicada e heresias foram condenadas – e estes concílios lidaram com doutrinas de importância inquestionável. O Cristianismo permanece ou cai dependendo do que se afirmar sobre Jesus Cristo ser completamente homem e completamente Deus.

A igreja se moveu rapidamente para afirmar que a completa divindade e completa humanidade de Jesus Cristo são absolutamente necessárias para a fé Cristã. Qualquer negação do que se tornou conhecido como Cristologia de Nicéia-Calcedônia é, por definição, condenada como heresia. As verdades essenciais da encarnação incluem a morte, sepultamento, e a ressureição do corpo do Senhor Jesus Cristo. Aqueles que negam estas verdades reveladas são, por definição, não Cristãos.

O mesmo é verdade para a doutrina da Trindade. A igreja primitiva clarificou e codificou seu entendimento do único Deus vivo afirmando a completa divindade do Pai, do Filho, e do Espírito Santo – enquanto que insistia que a Bíblia revela um Deus em três pessoas.

Além das doutrinas Cristológica e Trinitariana, a doutrina da justificação pela fé deve, também, ser incluída entre estas verdades de primeiro escalão. Sem estra doutrina, somos deixados com uma negação do próprio evangelho, e a salvação é transformada em alguma justiça humana. A veracidade e autoridade das Sagradas Escrituras deve também ser considerada como doutrina de primeira ordem, pois, sem a afirmação de que a Bíblia é a própria Palavra de Deus, somos deixados sem nenhuma autoridade adequada para distinguir verdade do erro.

Estas doutrinas de primeira ordem representam as verdades mais fundamentais da fé Cristã, e a negação destas doutrinas representa nada menos que a negação do Cristianismo em si mesmo.
O conjunto de doutrinas de segunda ordem é distinto do de primeira ordem pelo fato de que Cristãos fiéis podem discordar das questões de segunda ordem, embora esta divergência crie divisões significativas entre os crentes. Quando Cristãos se organizam em congregações e denominações, estas divisões se tornam evidentes.

Questões de segunda ordem incluem o significado e modo do batismo. Batistas e Presbiterianos, por exemplo, descordam fervorosamente sobre o mais básico entendimento do batismo Cristão. A prática do pedobatismo é inconcebível às mentes dos Batistas, enquanto que os Presbiterianos atribuem o pedobatismo ao seu mais básico entendimento da aliança. Reconhecendo juntos as doutrinas de primeira ordem, Batistas e Presbiterianos avidamente reconhecem uns aos outros como Cristãos, mas reconhecem também que desacordos em questões desta importância impedem a comunhão dentro da mesma congregação ou denominação.

Cristãos das mais variadas denominações podem permanecer juntos nas doutrinas de primeira ordem e reconhecer uns aos outros como Cristãos autênticos, enquanto que o entendimento de que existem divergências em questões de segunda ordem impede uma comunhão mais ávida que de outra forma, desfrutaríamos. Uma igreja reconhecerá o batismo infantil ou não. Esta escolha cria imediatamente um conflito de segunda ordem com aqueles que têm convicção da posição contrária.

Há alguns anos, a questão da mulher servir como pastora emergiu como outra questão de segunda ordem. Novamente, uma igreja ou denominação pode ordenar mulheres ao pastorado ou não. Questões de segunda ordem impedem a fácil adaptação daqueles que preferem a outra abordagem. Muitos das mais calorosas divergências entre crentes sérios se encontram no nível da segunda ordem, pois estas questões enquadram nosso entendimento da igreja e as orientações dadas a ela pela Palavra de Deus.

Questões de terceira ordem são doutrinas sobre as quais os Cristãos podem discordar e, mesmo assim, permanecerem em comunhão próxima, mesmo dentro de congregações locais. Eu colocaria a maioria dos debates sobre escatologia, por exemplo, nessa categoria. Cristãos que afirmam a corpóreo, histórico e vitorioso retorno do Senhor Jesus Cristo podem discordar da sequência dos acontecimentos sem romper a comunhão da igreja. Eles podem discordar sobre um grande número de questões relacionadas à interpretação de textos difíceis ou sobre o entendimento de assuntos de discordância comum. Porém, permanecendo juntos em questões de importância mais urgente, os crentes são capazes de aceitar uns aos outros enquanto questões de terceira ordem estão em debate.

Uma estrutura de triagem teológica não implica que os Cristãos devam considerar qualquer verdade bíblica com pouca seriedade. Somos responsáveis por abraçar e ensinar a veracidade compreensiva da fé Cristã como revelada nas Santas Escrituras. Não há doutrinas insignificantes reveladas na Bíblia, mas existe um fundamento essencial da verdade que embasa todo o sistema de verdade bíblica.

Esta estrutura de triagem teológica também pode ajudar a explicar como a confusão pode, frequentemente, ocorrer em meio a um debate doutrinário. Se a urgência relativa destas verdades não são levadas em conta, o debate pode rapidamente se tornar inútil. O erro do liberalismo teológico é evidente em um desrespeito básico à autoridade bíblica. A marca do verdadeiro liberalismo é a recusa em admitir que questões teológicas de primeira ordem até mesmo existem. Liberais tratam doutrinas de primeira ordem como se fossem meramente de terceira ordem em importância, e ambiguidade doutrinária é o resultado inevitável.

Fundamentalismo, por outro lado, tende ao erro oposto. O equívoco do verdadeiro fundamentalismo é acreditar que todas discordâncias são de primeira ordem. Assim, questões de terceira ordem são colocadas com importância de primeira ordem e Cristãos são erroneamente prejudicialmente divididos.


Viver em uma era em que as doutrinas são amplamente negadas e de intensa confusão teológica, Cristãos estudiosos devem enfrentar o desafio da maturidade Cristã, mesmo em meio de uma emergência teológica. Devemos ordenar as questões com uma mente treinada e coração humilde para proteger o que o Apóstolo Paulo chamou de “tesouro” que foi confiado a nós. Dada a urgência desse desafio, a lição do Atendimento Médico de Urgência só pode ajudar.

domingo, 22 de setembro de 2013

Voltando ao Verdadeiro Culto


R. Albert Mohler Jr.
20 de Setembro, 2013

Em Os Irmãos Karamazov*, o Grande Inquisidor de Fiódor Dostoiévski oferece esta visão da natureza humana caída: “Porque não há para o homem que ficou livre cuidado mais constante e mais doloroso do que o de procurar um ser diante do qual se incline.”

Apesar de o Grande Inquisidor falhar como guia confiável de Teologia, nesse ponto ele está correto. Seres humanos são profundamente religiosos – mesmo quando não sabemos que somos – e buscam incessantemente um objeto de adoração.

Ainda, seres humanos são pecadores, e portanto nosso culto é, com frequência, fundamentado em nosso próprio paganismo de preferência pessoal. O coração humano caído é, de fato, uma “fábrica de ídolos”, sempre produzindo novos ídolos para adoração e veneração. Esta fábrica corrompida, entregue a seus próprio meios, nunca produzirá adoração verdadeira, mas ao invés disso, adorará suas próprias invenções.

Porém os Cristãos são aqueles que foram redimidos pelo sangue do cordeiro, incorporados ao corpo de Cristo e chamados ao verdadeiro culto, regulado e autorizado pela Escritura. Adoração é o propósito para o qual fomos feitos – e apenas os redimidos podem adorar o Pai em espírito e em verdade.

Mas adoramos?

O filósofo britânico Roger Scruton uma vez advertiu seus companheiros filósofos que a melhor maneira de entender o que as pessoas realmente acreditam sobre Deus é observá-las no culto. Livros de Teologia e declarações doutrinárias podem revelar o que uma congregação diz que acredita, mas o culto revelará em que ela realmente acredita. Considerando isso, estamos em grandes apuros.

Anos atrás, A. W. Tozer lamentou que muitas igrejas concebem a adoração como “o máximo de entretenimento e o mínimo de instruções sérias”. Muitos cristãos, ele argumentou, nem mesmo reconheceriam o culto como “uma reunião onde a única atração é Deus”. Verdade 50 anos atrás, estas palavras agora servem como acusação direta ao culto contemporâneo.

Adoração é o propósito para o qual fomos feitos – e apenas os redimidos podem adorar o Pai em espírito e em verdade.

Do ponto de vista mundano, devemos encarar o fato de que o modernismo fez desabar transcendência em muitas mentes. O foco do culto foi “horizontalizado” e reduzido à escala humana. O culto foi transformado em um experimento cujo “significado” é definido por quem presta culto, não um ato de alegre submissão à maravilha e grandeza Deus.

Embora todos os cristãos afirmem a necessidade e realidade da dimensão experimental da fé, a experiência deve ser fundamentada e sujeita à Palavra de Deus.

Hughes Oliphant Old uma vez resumiu o culto cristão em termos do “senso da majestade e soberania de Deus, senso de reverência, de dignidade simples; convicção de que a adoração deve, acima de tudo, servir ao louvor de Deus.” Como Old reconheceu, este caminho para a renovação “pode não ser exatamente o que todo mundo está procurando.”

Procurando isto ou não, este é o único caminho de volta ao culto que Deus busca.

Traduzido por Rafael Abreu

 
*Os Irmãos Karamazov é um romance de Fiódor Dostoiévski; um clássico da literatura russa escrito em 1879.

 

Albert Mohler Jr. é reconhecido como um dos líderes mais influentes dos Estados Unidos pelas revistas “Time” e “Christianity Today”. Possui um programa no rádio que é transmitido em mais de 80 estações em todo o país. É presidente da escola mais importante da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, a Southern Baptist Theological Seminary.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Uma Crítica a "Carta a um jovem casal sexualmente ativo"

http://www.novosdialogos.com/artigo.asp?id=1162



1) O autor desse texto basea-se no pensamento de Robinson Cavalcanti.


a) A teologia de R.C. era liberal; muitas de suas idéias eram contrárias ao cristianismo histórico.

        b) Simpatizava-se com os pensamentos Alfred Kinsey que foi um pervertido sexual considerado cientista. Kinsey era polígamo e bisexual; concordava com sua mulher que ambos poderiam ter relações sexuais com outras pessoas e entre si; manteve relações sexuais com um de seus alunos. É considerado por muitos um dos responsáveis pela banalização do sexo nas últimas décadas.

Para saber mais sobre Kinsey: http://en.wikipedia.org/wiki/Alfred_Kinsey

c) R.C. também defendeu a poligamia (o que mostra um entendimento deturpado que tinha da Escritura) e outras práticas anti-bíblicas. Suas definições sobre fornicação beira ao ridículo (ver ponto 3 item d).



2) O autor não se utilizou de versículos para mostrar que seus argumentos são Bíblicos, apenas para afirmar que aqueles que defendem ser pecaminosa a prática do sexo antes do casamento utilizam algumas passagens indevidas. Apesar disso, não demonstrou o porquê de essas passagens serem indevidas (a não ser que chamar os textos mais citados de "chavões textuais" e ignorá-los para "não ser exaustivo quanto as referências" seja uma nova forma de prova científica).

Sobre o utilizar a edição "A mensagem" da Bíblia e citar o "tio Ben" (do Homem-Aranha), me recuso comentar.

Estes  dois pontos são suficientes para invalidar esse texto como fonte de reflexão edificante.



3) Quanto ao conteúdo do texto em si, tenho várias críticas:


a) "[...] como se pureza e a santidade de um namoro pudessem apenas ser avaliadas, embora eu pense que isso não se avalia, pela ausência da dimensão erótica."

Tomara que este seja o pensamento do autor e só dele! Se a Bíblia é a única regra de fé ou prática, não devemos negligenciá-la em nem mesmo um único ponto, e ela é bem clara quanto à avaliação da pureza e santidade:  "Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice." (1Co.11:28 - uma prática comum dos puritanos e reformados do passado era, ao final do dia, avaliarem a si mesmos por todas as palavras, pensamentos e obras que haviam praticados durante o dia; que homens!) Se a Palavra ordena que sejamos santos ("sede santos porque Eu sou santo" e "segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus", dentre outros vs.) não entendo como posso me tornar cada vez mais santo sem ter um padrão de santidade pelo qual avaliar meus relacionamentos.

Embora a "dimensão erótica" não seja o único padrão pelo qual se deva avaliar a pureza e santidade, é sim um padrão, e muito bem estabeleciodo pela própria Escritura. "Dimensão erótica", a meu ver, não se refere apenas ao sexo mas também a fatores tais quais vontades e desejos, dentre outros. Ora, a cobiça pelo prazer a qualquer custo, adultério e perversão sexual, por exemplo, não seria uma falta de santidade e pureza? O autor poderia pelo menos definir melhor o que é essa tal "dimensão erótica".


b) "Tem-se preferido, assim, ignorar que boa parte dos casais de namorados hoje não vive de acordo com tal imperativo, consciente e saudavelmente, ou clandestina e culposamente. "

O velho hábito brasileiro de justificar um erro com outro! Se todos os homens praticassem blasfêmia, (consciente e saudavelmente, ou clandestina e culposamente), a blasfêmia deixaria de ser pecado? Não! Ignorar que "todos" casais de namorados praticam o sexo não faz essa prática menos pecaminosa; a única consequência disso é que Deus julgará aqueles que são responsáveis por não pregar e exortar contra ela. Serão todos culpados!


c) "As exigências da igreja com relação à sexualidade há um bom tempo têm sido hipócritas, presunçosas e legalistas, tudo em nome de uma idolatria biblicista travestida de fidelidade à Bíblia."

Gostaria de saber a quais "exigências" (note o plural) o autor se refere. Desde que as exigências da igreja sejam as exigências bíblicas, considerá-las hipócritas, presunçosas e legalistas é loucura, a menos que ele não seja realmente um cristão.

"Idolatria biblicista"? A Bíblia é a Palavra de Deus inspirada e infalível; serve para instrução dos santos e para a própria glória de Deus; é vida eterna, liberdade, verdade e muito mais! Ele está falando sério?  Se realmente soubéssemos o que é fidelidade à Bíblia tentaríamos nos esconder debaixo de montanhas para fugir da ira de Deus, e certamente o mundo diria: "coitados loucos idólatras da Bíblia!"


d) "Não estou dizendo que estes preceitos não existem nem que não sejam válidos, mas sim que faltam discernimento e honestidade intelectual no momento em que os aplicamos, muitas vezes (senão na maioria delas) fora de seu devido contexto."

Os puritanos foram os maiores defensores da pureza, castidade e santidade (em todos os aspectos). Esses homens de Deus viviam o que pregavam; a simples leitura de suas biografias nos deixa constrangidos! Eles não foram, apenas, notáveis teólogos, mas dominaram variadas áreas do conhecimento; deles surgiram algumas das melhores universidades do mundo (Yale, Princeton e Harvard dentre muitas outras). Jonathan Edwards foi é considerado, por muitos, o maior filósofo que já houve nos EUA; John Owen, uma das mentes mais brilhantes da Inglaterra. A lista de nomes é imensa.

Para eles, o sexo fora do casamento não poderia sequer ser considerado. E não nos limitemos a exemplos do passado: John Piper, Washer, Mark Dever, Albert Mohler, Sproul, Steven Lawson, Augustus Nicodemus e milhares de outros intelectuais da atualidade concordam que o casamento é o âmbito estabelecido por Deus para a prática do sexo.

Será que realmente falta "honestidade intelectual" ao se afirmar que o sexo fora do casamento é um ato pecaminoso?
 
(Sobre a "fornicação"): John Gill, um dos melhores e mais brilhantes exegetas, escreveu em seu aclamado comentário expositivo :

http://beta.biblestudytools.com/commentaries/gills-exposition-of-the-bible/ephesians-5-3.html
http://beta.biblestudytools.com/commentaries/gills-exposition-of-the-bible/galatians-5-19.html


e) "E é assim que muitos dos que com certa jactância se proclamam crentes bíblicos tratam a Bíblia: como um objeto de veneração, que acaba anulando a reverência à Palavra Divina, empobrecendo e enclausurando-a em seus preceitos humanos (demasiadamente humanos?). "

Definição de "venerar" do Dicionário Priberam: ter estima respeitosa por; tratar com muito respeito; ter em grande consideração.

Definição de "venerar" do Dicionário Aurélio: render culto a;  reverenciar; respeitar; acatar.

Não entendo como alguém pode venerar e, ao mesmo tempo, "anular a reverência à Palavra Divina". Isso seria, no mínimo, um despropósito. Quem "empobrece" e "enclausura" a bíblia em "preceitos humanos" (seja lá o que o autor quis dizer com isto), não venera a Bíblia nem nada dela entende.


f) "Mas acabam entrando na vala comum porque é mais fácil pensar a Bíblia como um manual de boa conduta, com regras específicas para tudo o que consideramos como má conduta, que como a Palavra de Deus que, em si, é um convite a uma obediência com discernimento e boa consciência diante de cada situação vivida." 

Que colocação infeliz! Apesar de não se resumir a isso, a bíblia é também um manual de boa conduta com regras específicas; não se trata de regras sobre o que consideramos má conduta, mas que o próprio Deus considera má conduta; se fomos regenerados, tivemos nossos pensamentos renovados e estamos nos conformando à Cristo (Rm.12:2 ;  Rm.8:29 - lembrando que o texto se dirige a cristãos),  o que consideramos como má conduta deve ser o que o próprio Deus considera como má conduta.  Aqui entendo que há uma certa confusão do autor já que ele mesmo diz que a bíblia é um convite à "obediência com discernimento"; será que ele discerniu bem o que devemos obedecer?

Além disso,  ao contrário do que ensina a cultura, regras são necessárias e boas (e não confundam regras com legalismo!) Paul Washer fala sobre isso no vídeo do link abaixo entre os minutos 5 e 15:

http://www.youtube.com/watch?v=zd7Qg7Vebg0

Obs.: Basta ler o livro de Provérbios para se dar conta de que a Bíblia é também um "manual de boa conduta".


g) "Corro aqui o risco de levar muitas pedradas, mas é o preço da honestidade e de não mais estar disposto a esse jogo de faz de contas que há muito grassa em nosso meio, ou seja, faz de conta que eu não sei que vocês transam e vocês fazem de conta que seguem a lei da abstinência pré-matrimonial. É preciso dar um basta nessa hipocrisia, mesmo que como gritos que serão ouvidos por poucos e execrados por muitos." 

O argumento apresentado aqui é um insulto à inteligência. Obviamente é preciso dar um basta nessa hipocrisia. Mas seria um tanto quanto pretencioso, vulgar, mundano e herege fazer isso desfazendo-se das verdades Bíblicas. Como já disse num ítem anterior, se uma prática pecaminosa é comum, ela não deixa de ser pecaminosa, pelo contrário, atesta o derramar da ira de Deus no presente momento. Se todos os casais cristãos mantêm relações sexuais e "fazem de conta que seguem a lei da abstinência pré-marital", tanto a fornicação quanto a mentira e o engano não deixam de ser pecado! Se todos "fazem de conta que não sabem", a omissão não deixa de ser pecado! A lei moral de Deus (Ex.20) não foi abolida pela graça.


h) "[...] não estamos falando de pedaços de carne em atrito e fricção em busca de prazer pura e simplesmente, mas nos referimos a duas pessoas, que têm sentimentos, que sofrem, que choram, se emocionam, se fragilizam quando se decepcionam, quando amam, quando se machucam."

Aqui está uma consequência terrível da queda: o antropocentrismo. Quando falamos de sexo não falamos de duas pessoas, mas de Deus e duas pessoas! Sim, a glória de Deus é o maior motivo do sexo. Ao afirmar que falar de sexo é "se referir a duas pessoas", o autor nos dá um retrato perfeito da humanidade: egoísmo e rebeldia contra Deus. EU sinto, EU sofro, EU choro, EU me emociono,  EU me fragilizo, EU me decepciono, EU amo, EU me machuco. EU, eu, eu. Deus não faz parte de nenhum processo. Ah! Engana-se quem pensa que o sexo é um ato que diz respeito apenas aos dois indivíduos envolvidos fisicamente; terrivel erro comete aqueles que não glorificam a Deus no relacionamento íntimo, não buscam satisfazê-Lo em primeiro lugar e se apartam de Deus no ato sexual.

"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." - 1Co.10:31


i) "Escrevo para dizer que está nas mãos de vocês o querer fazer certo, fazer bem, fazer com amor, fazer durar o relacionamento enquanto se é vivo, e isso também é dádiva divina."

Novamente o antropocentrismo! Não está nas nossas mãos o querer fazer o certo e o bem (se é que fomos regenerados) "porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." - Fp.2:13. Se não fomos regenerados, pior ainda tornou-se o caso:

"Como está escrito:Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." - Rm.3:10-12

"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" - Jr.17:9

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Se você se arrepende das práticas sexuais ilícitas já praticadas, confesse seu pecado a Cristo pois ele é fiel e justo para perdoar. Ele pode transformar seu relacionamento para que o próprio Pai seja glorificado e para que você desfrute da imensa alegria do prazer verdadeiro.

Alguns links sobre o tema:

http://tempora-mores.blogspot.com.br/2008/07/carta-um-jovem-evanglico-que-faz-sexo.html
http://www.gracebaptist.ws/sermons/notes/PuritanStudy/Puritan2.html


Soli Deo Gloria

Rafael Abreu

quarta-feira, 10 de julho de 2013

pdf dessa tradução:
https://www.dropbox.com/s/s1njxo6xirqad9q/o_autor_do_pecado_vincent-cheung.pdf

Original inglês:
https://www.dropbox.com/s/ovyeojia9laon3c/author_of_sin.pdf



O Autor do Pecado
Vincent Cheung
(Tradução: Rafael Abreu)


Apologética é fácil, mas frequentemente é dificultada devido às tradições não bíblicas e suposições irracionais.

Quando os cristãos são questionados se Deus é o “autor do pecado”, eles respondem com rapidez: “Não, Deus não é o autor do pecado.” Então eles se contorcem no chão, tentando dar ao homem algum poder de “autodeterminação” [1], e algum tipo de liberdade que, em suas mentes, tornarão os homens culpados [2], e ainda assim deixará Deus com Sua soberania total.

Por outro lado, quando alguém alega que minha visão de soberania divina faz de Deus o autor do pecado, minha primeira reação tende a ser: “E daí?” Até mesmo cristãos que discordam de mim, estupidamente entoam: “Mas ele faz de Deus o autor do pecado!” Entretanto, uma descrição não corresponde a um argumento ou objeção, e nunca me deparei com alguma explicação decente com o que há de errado em Deus ser o autor do pecado em qualquer trabalho teológico ou filosófico escrito por qualquer pessoa de qualquer perspectiva.

A verdade é que, se Deus é ou não o autor do pecado, não existe problema bíblico ou lógico quanto a isso. Para que seja um problema, isso deve tornar falso algum ponto do Cristianismo ou contradizer alguma passagem da Escritura. Mas se Deus é o autor do pecado, como isso torna o Cristianismo falso? Alguém deve construir um argumento através de premissas estabelecidas mostrando que, se Deus é o autor do pecado, chegamos à conclusão que o Cristianismo é falso. Que argumento é esse? E qual passagem da Escritura isso contradiz? Você pode citar qualquer passagem que quiser, mas terá de mostrar que esta necessariamente se aplica à questão e faz impossível o fato de Deus ser o autor do pecado. Onde está essa passagem da Escritura?

Dentre muitas respostas falaciosas, está o apelo à Tiago 1:13 [3]. Utilizar esse verso para negar que Deus é o autor do pecado é uma das piores más aplicações da Escritura, e porque esse erro é muito popular e influente, causou muito estrago e gerou um fardo desnecessário àqueles que defendem a fé.

Considere o contexto. Tiago está discutindo em sua carta o resultado prático da fé Cristã, sendo assim, ele frequentemente enfatiza a responsabilidade direta dos Cristãos, e da perspectiva imediata dos Cristãos. Tiago está mostrando o que o Cristão deveria considerar e tratar em suas lutas como Cristão – ele não está lidando com metafísica.

Ou seja, ele está tratando de tópicos do ponto de vista do Cristão, que dizem respeito à considerações e responsabilidades imediatas e não de princípios de metafísica.

Porém, quando estamos discutindo a soberania de Deus versus a liberdade humana, causa e efeito, etc., na verdade estamos lidando com metafísica. É claro, as conclusões alcançadas neste nível conduzem, necessariamente, à aplicações práticas, e os ensinos bíblicos sobre metafísica e aplicações práticas são completamente consistentes uns com os outros. Porém, é verdade que, enquanto a discussão permanecer no nível metafísico, o referencial é diferente, de maneira que deve-se ter cuidado para não inferir invalidamente um princípio metafísico a partir de um versículo de instrução prática.

Com isso em mente, leia a passagem outra vez. Ela não afirma ou nega que Deus é o autor do pecado – nem mesmo aborda o tema; seu objetivo é completamente diferente. O texto apenas nos diz que Deus não é o tentador, o que é completamente diferente de dizer que Deus não é o autor do pecado.

Ou seja, se Deus diretamente te faz pecar, isso não faz d'Ele o “autor” do pecado (pelo menos no sentido que as pessoas geralmente usam a expressão*), mas o “pecador” ou o “transgressor” ainda é você. Uma vez que pecado é a transgressão da lei divina, para que Deus seja pecador ou transgressor, nesse caso, Ele deveria decretar uma lei moral que proibiria a Si mesmo de ser o autor do pecado, e então, quando, de alguma forma, Ele agisse como autor do pecado, se tornaria um pecador ou transgressor.

Mas a menos que isso aconteça, o fato de Deus ser o autor do pecado não faz d'Ele um pecador ou transgressor. Os termos “autor”, “pecador”, “transgressor” e tentador são relativamente precisos – pelo menos precisos o suficiente para serem distinguidos entre si, e Deus ser o “autor” do pecado não diz nada a respeito de também ser “pecador”, “transgressor” ou “tentador”. E não ser transgressor significa, por definição, que Ele não fez nada errado. Portanto, ainda que Deus seja o autor do pecado, não implica que há algo errado com isso, ou que Ele seja transgressor.

Entretanto, isso não afasta Deus do mal, pois ser o “autor” do pecado implica muito mais controle sobre o pecador e sobre o pecado que meramente tentar. Enquanto o satanás (ou a cobiça da pessoa) é o tentador, e a pessoa é quem de fato peca, é Deus que controla completa e diretamente ambos, o tentador e o pecador, e a relação entre eles. E, embora Deus não seja Ele mesmo o tentador, ele envia deliberadamente e soberanamente espíritos maus para tentar (1Rs.22:19-23) e para tormentar (1Sm.16:14-23, 18:10, 19:9). Mas em tudo isso, Deus é justo por definição.

O versículo está dizendo que quando você lida com a tentação, você deve tratar diretamente de sua cobiça, e não culpar Deus e ficar de braços cruzados, ou permanecer no pecado. Leia todo o primeiro capítulo de Tiago e veja se esta não é a ênfase óbvia. Tiago trata da alegria, fé, perseverança, dúvida, orgulho, cobiça, ira, imundície moral e sobre ser praticante da palavra. Ele está tratando com as responsabilidades diretas dos cristãos na vida prática, e faz isso relacionando todas essas coisas com os motivos internos e com as características da pessoa.

No verso 13, o autor está instruindo o crente sobre como abordar corretamente a tentação – não tentando explicar a metafísica por trás disto. Ou, ele está considerando responsabilidade do crente nos fatores internos da santificação e não a causa metafísica ou princípios para estes. Mas a causa metafísica ou princípio é exatamente o que estamos discutindo quando consideramos se Deus é o autor do pecado. Portanto, Tiago 1:13 não é diretamente aplicável a nosso tópico. Se alguém ainda deseja negar que Deus é o autor do pecado, terá que usar outro verso.

Aqueles que citam Tiago 1 para reivindicar que Deus não pode ser o autor do pecado poderá usar o verso 17 [4] para ratificar sua interpretação do verso 13. Contudo, se o verso 17 é interpretado de maneira que é consistente com essa interpretação do verso 13, então haveria contradição com Isaías 45:7 [5]. Mas se o verso 17 é interpretado corretamente de maneira que não contradiga Isaías 45:7, então não mais confirma a falsa interpretação do verso 13. Um exame mais detalhado do verso 17 terá de esperar, mas o que já foi dito torna essa interpretação do verso 17 impossível, então não preciso dizer mais para nosso presente propósito. O fato é que nada nessa passagem de Tiago nega (ou afirma) que Deus é o autor do pecado.
O motivo e efeito da resposta popular é satisfazer o padrão humano de justiça e retidão. Dabney, Shedd e outros admitem que suas respostas destina-se a satisfazer a intuição humana. Se não fosse pelo fato que a soberania absoluta de Deus é repugnatne à intuição humana pecaminosa, defeituosa pelo efeito noético do pecado, a questão do “autor do pecado” não teria um ponto de entrada lógico na discussão teológica.

Em contraste, a abordagem bíblica para este tipo de questões e objeções não é para justificar Deus, mas reprovar o homem por questionar e objetar.

Nossa passagem em Isaías 45 é um exemplo:

"Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há Deus [...] eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.

Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos?

Ai daquele que diz ao pai: Que é o que geras? E à mulher: Que dás tu à luz?"

Em outras palavras, “Eu sou o único Deus. Se é prosperidade ou disastre, sou Eu quem faço todas estas coisas – não existe outro deus para fazê-las. Você ousa a me questionar sobre isso? Quem é você para contestar?”

Embora esse verso não possa resolver todos os detalhes conclusivamente, ao contrário de Tiago 1, tem algo a ver com metafísica. Ele é o único Deus, e isto está inseparavelmente conectado ao fato de que Ele é o único Deus que causa “todas estas coisas”, incluindo prosperidade e desastre. Ele é quem faz todas elas. Isso é a negação de qualquer tipo de dualismo – não existe nenhum outro poder que pode fazer prosperar ou causar um desastre [6].

Ao contrário da explicação tradicional, Deus não diz: “Oh, não, Eu não sou o autor do pecado. Embora eu seja a causa final de todas as coisas, eu me distancio de causar diretamente o mal estabelecendo causas secundárias e agentes livres. Então, embora eu tenha criado e sustente todas as coisas, os homens pecam livremente pensando e agindo de acordo com suas próprias inclinações. As inclinações para o mal vêm de Adão. Como Adão adquiriu esta inclinação para o mal... bem, isso permanecerá um mistério para vocês.” Se esta é a resposta, porque não ir direto ao mistério e poupar tempo a todos nós?

A Bíblia nunca responde desta maneira este tipo de questão e objeção. Existem muitas passagens bíblicas dizendo que Deus causa todas as coisas, e a metafísica por trás disso é explicada pela onipotência de Deus – a mesma onipotência que criou todas as coisas. Por outro lado, todas as passagens que as pessoas usam para negar que Deus é o autor do pecado ou para provar a compatibilidade são sempre apenas descrições de eventos e motivos, sem lidar com a causa metafísica destes eventos e motivos.

Ao invés de dar a resposta popular, que é fraca, evasiva, incoerente e confusa, Deus desavergonhadamente declara: “Sim, Eu faço todas estas coisas. O que você fará a respeito disso? Quem é você para me perguntar sobre isso?” Quanto à metafísica, incluindo a relação de Deus com as decisões humanas, se para o bem ou para o mal, é assim que a Bíblia responde.

Então, lemos em Romanos 9:19-21:

"Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?"

Novamente, aqui há algo a ver com a metafísica (determinismo, liberdade, etc.), uma vez que o contexto tem a ver com eleição e reprovação, e a criação dos eleitos e não-eleitos, como o oleiro faz o vaso a partir da terra.

E, ao contrário da resposta típica, Paulo não diz: “Oh, não, você não entende. Embora Deus determine todas as coisas, Ele causa todas as coisas apenas através de você tomando decisões de acordo com sua própria natureza, que vem de Adão, cuja natureza misteriosamente deixou de ser santa para ser má, de maneira que Deus não é o autor do pecado, mas que você é responsável pelas próprias decisões e ações.”

Em vez disso, Paulo diz que o controle de Deus sobre ambos, o “nobre” e o “comum”, é como o controle do oleiro sobre o vaso [7]. E assim como o vaso de barro não pode perguntar ao oleiro, a resposta de Paulo a quem questiona não é: “Mas vocês fizeram de si mesmos pessoas más” ou “Vocês praticam o mal livremente de acordo com a própria natureza”, mas ao invés disso ele diz: “Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: 'Por que me fizeste assim'?” [8] E Paulo não diz: “Mas Deus não é o autor do pecado” mas invés disso, ele diz: “Deus tem o direito de fazer uma pessoa justa e outra má, para salvar uma e condenar outra. E é claro, ninguém pode resistir à Sua vontade! Mas quem é você para responder? ”

Esta é a abordagem da Bíblia. Ela reprova quem questiona e responde a objeção ao mesmo tempo. Mas a respota não nega que Deus é a causa direta do pecado; invés disso, diz ousadamente que Deus tem o direito de fazer o que Ele quiser e faz o que Ele quer. Ao invés de recuar ou se desviar, vai de encontro a quem questiona e lhe dá um tapa na face!

Esta é a resposta de Deus. É forte, direta, simples, coerente e irrefutável. É perfeita.



* O sentido, aqui, é que Deus seja o culpado pelo pecado que alguém comete.

[1] Ver Hodge, Dabney, Shedd, etc.
[2] Mas como já disse repetidamente, não existe conexão entre liberdade e culpabilidade.

[3] "Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência." - Tiago 1:13-14

[4] "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação." - Tiago 1:17

[5] Esse artigo foi apresentado originalmente após uma discussão sobre Isaías 45:7, que diz: “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.”

[6] Alguns fazem uma distinção entre mal moral e natural, mas a Bíblia diz que Deus causa ambos. Veja meu artigo “O problema do mal”**

**Este artigo deve ser traduzido em breve.

[7] Obviamente, isto é apenas uma uma analogia; na verdade, o controle de Deus sobre nós é muito maior que o controle do oleiro sobre o vaso, uma vez que o oleiro não criou o barro e seu controle sobre o mesmo é limitado – por exemplo, ele não pode fazer o barro se tonar outro. Mas Deus criou todo o material com o qual trabalha e tem controle completo sobre ele.

[8] Assim, Paulo afirma que os réprobos são feitos réprobos por Deus, mas que eles não têm o direito de reclamar.